Exportação de soja deve bater recorde em 2017 com alta da demanda chinesa

Consumo firme da China e oferta farta da oleaginosa devido à supersafra em 2016/2017 devem garantir um aumento de 30% dos embarques do grão em relação ao ano passado, estima Abiove

O Brasil deve alcançar um novo recorde de exportação de soja em 2017 ao embarcar 67, 8 milhões de toneladas, incremento de 30,8% em relação ao ano passado. O crescimento é amparado pela demanda firme da China e pelo aumento da oferta do grão.

A projeção foi feita nesta terça-feira (12) pelo secretário geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Fábio Trigueirinho.

Segundo ele, a China será responsável pela aquisição de 52 milhões de toneladas de soja no acumulado deste ano, mais da metade da demanda do país asiático, que soma cerca de 100 milhões de toneladas. “Conseguimos embarcar nos meses de pico um volume enorme e estimamos para este ano um ligeiro aumento porque é caro manter essa soja aqui”, destacou.

Trigueirinho também justificou o aumento dos embarques ao citar que a China aplica tarifas mais altas para a compra de óleo e de farelo – 5% e 9%, respectivamente – frente aos 3% cobrados sobre a aquisição do grão, o que estimula a compra da matéria -prima em detrimento do produto beneficiado.

“Precisamos criar um mecanismo de interlocução misto com a China para debatermos os assuntos de interesse bilateral. Nós queremos vender mais farelo e óleo, mas temos barreiras”, destacou. Para o próximo ano, a associação estima que os embarques chegarão a 65 milhões de toneladas da oleaginosa, em virtude de uma produção inferior na safra 2017/2018 em relação à registrada na temporada passada, quando foram colhidas 114 milhões de toneladas do grão.

A receita com os embarques do complexo de soja deste ano deve somar US$ 31,5 bilhões, valor que também é recorde ante aos US$ 25,4 bilhões obtidos em 2016. Para o próximo ano, a perspectiva é de receita de US$ 30 bilhões.

A Abiove também revisou a estimativa inicial para este ciclo, de 108,8 milhões de toneladas de soja para 109,5 milhões de toneladas do grão. “As informações que temos de campo indicam que a safra está indo bem. O plantio está praticamente concluído e o clima segue razoável após um começo de safra atrasado pela seca”, destacou Trigueirinho.

ProcessamentoPara o próximo ano, a Abiove também projeta um volume recorde de processamento de 43 milhões de toneladas de soja ante 41,5 milhões de toneladas em 2017. Trigueirinho atribui a projeção ao aumento da mistura de biodiesel no diesel mineral de 8% (B8) para 10% (B10), que foi antecipada em um ano e vai começar a partir de março de 2018.

Com essa modificação, a demanda de biodiesel deve chegar a 5,5 bilhões de litros, incluindo os meses de janeiro e fevereiro em que ainda estará em vigor o B8. Essa produção demandará 3,7 milhões de toneladas de óleo de soja e 18,5 milhões de toneladas da oleaginosa. Para este ano, a produção de biodiesel deve fechar em 4,2 bilhões de litros de B8, o que exigiu o esmagamento de 15 milhões de toneladas de soja. “Temos tranquilidade quanto à capacidade industrial para atender à demanda, porque estamos com ociosidade na indústria de mais de 20%”, afirmou o gerente de economia da Abiove, Daniel Amaral.

RenovabioO Senado aprovou ontem o Renovabio e o texto segue para sanção do presidente Michel Temer. “A política de biocombustíveis vai trazer mais estabilidade da demanda para a matriz energética brasileira e pode estimular o uso voluntário do biodiesel”, avalia Amaral. Segundo ele, esse estímulo deve vir das distribuidoras, que poderão adquirir até “B30”, acima da mistura obrigatória, para que consigam atingir a meta de descarbonização estabelecida pelo Renovabio. Assim como a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), a Abiove estima que a política entrará em vigor em 2020, uma vez que ainda é necessária a regulamentação da política. “Assim que for plenamente implementado, a ociosidade do setor deve recuar ao mínimo possível.”

Via Diário Comércio, Indústria e Serviços

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