Indústria de jogos impulsiona formalização e desenvolvimento de mão de obra em Goiás

Na cadeia de arte digital, o Estado soma cerca de 295 empresas e 2,5 mil pessoas empregadas, segundo estudo recente realizado pelo laboratório de pesquisa, desenvolvimento e inovação em mídias interativas Media Lab da UFG

De mera brincadeira a fonte rentável, o desenvolvimento de jogos digitais passa para uma nova fase em Goiás, a de maior profissionalização. A indústria, que não vê crise econômica, impulsiona novos negócios, gera empregos e vive cenário mais propício para formalização. Produtores se destacam no mercado nacional, a maioria de forma independente, mas não são raros aqueles que participam de produções internacionais.

Gigantes como Warner Bros, Electronic Arts e Capcom terceirizam parte da complexa construção de jogos, assim títulos famosos possuem a participação de profissionais goianos. “Nossos clientes estão no mundo inteiro”, resume o CEO da Gameblox Interactive, Diego Santos Leão, que vivencia as mudanças do cenário desde 2009. Para ele, mais cursos voltados para área, vagas e interesse em tecnologia mudaram a atuação local. “Era muito mais difícil antes e tínhamos que treinar muito nossos trabalhadores.”

Com mão de obra mais qualificada e diversificada, a partir das universidades – a primeira turma de Jogos Digitais colará grau em agosto –, o empreendedorismo também ganhou impulso nos últimos anos. Com ampliação do uso dos smartphones e modelos alternativos de financiamento, como o crowdfunding, em que o público pode colaborar, pequenos desenvolvedores têm mais chances de se destacar. Ao todo a estimativa é de que o setor fature R$ 1 bilhão por ano no País.

O momento promissor influenciou a Funbites Game Studio, por exemplo, em que quatro jovens se dividem entre trilha, programação, ilustração e publicidade. Depois de produções voltadas para concursos, este ano eles lançaram o primeiro jogo comercial para celular, chamado Pizza Mania. “Dá para viver disso e temos um desafio novo que começamos que é um jogo para PC e talvez console em 3D”, diz o sócio Gustavo Camargo sobre trabalho para o qual eles preveem ter de contratar pelo menos mais duas pessoas.

Na cadeia de arte digital, o Estado soma cerca de 295 empresas e 2,5 mil pessoas empregadas, segundo estudo recente realizado pelo laboratório de pesquisa, desenvolvimento e inovação em mídias interativas Media Lab da Universidade Federal de Goiás (UFG). Porém, não existem dados precisos sobre a indústria. Dedicadas exclusivamente aos jogos sabe-se que o número de empresas é menor, já que grande parte também desenvolve outros softwares.

“O cenário é muito mais informal, de interessados em desenvolver e distribuir, mas há uma pujança e possibilidade de franco processo de formalização”, pontua o coordenador do Media Lab UFG, Cleomar Rocha. Participação em eventos, desenvolvimento de novas tecnologias e facilidade de acesso tem barateado os custos de produção, além da inserção em nichos que vão além do entretenimento, como esfera educacional e laboral, os chamados serious games.

“Temos uma produção qualificada embora alheia a um mercado sistematizado”, acrescenta. Há mais editais públicos, procura crescente nos variados gêneros, mas o Estado ainda não se destaca no mercado nacional liderado pelo Sudeste, Sul e Nordeste. Criatividade, planejamento dos negócios e desenvolvimento de núcleos tecnológicos são apontados como próximos desafios a serem ultrapassados para desbloquear a próxima fase.

Na outra ponta, o consumo é forte e o Estado também tem marcado presença em competições com ciberatletas que faturam alto, até mais de R$ 10 mil por mês para jogar profissionalmente.

Via O Popular | Foto: Marcello Dantas

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