Montadoras têm 32 mil empregados ‘sobrando’ no país

Empresas e sindicatos tentam acordo para evitar demissões; medo do brasileiro de perder o emprego contribui para a redução nas vendas

Com a produção de veículos, máquinas agrícolas e rodoviárias voltando a níveis de 2004, o setor convive hoje com um excedente de 32 mil trabalhadores, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A matemática é simples. Há 12 anos, entre janeiro e junho, foram produzidas 1 milhão de unidades por 96 mil trabalhadores. Já no mesmo período deste ano, foram montados pelo setor 1,017 milhão de unidades por 128 mil empregados.

Com esse excedente de mão de obra, com as vendas em queda de 25% no ano e com as fábricas com capacidade ociosa em 52%, as empresas iniciam o semestre negociando com os sindicatos formas de evitar novas demissões. A Volkswagen, por exemplo, abriu diálogos para reorganizar a fábrica de São Bernardo do Campo (SP), que teria um excedente de 3.600 funcionários, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O setor negocia com os representantes dos trabalhadores licenças remuneradas, prorrogação dos lay-offs (suspensão dos contratos de trabalho), extensão do Programa de Proteção ao Emprego (PPE), alterações na remuneração, programas de demissões voluntárias e até mesmo reestruturações na produção, com treinamento de empregados para montar tanto veículos de passeio como caminhões.

Só na PPE, regime em que a jornada de trabalho e o salário são reduzidos em 30%, com o governo arcando com 15% da remuneração, via FAT, são entre 26 mil e 27 mil trabalhadores incluídos.

O presidente da Anfavea, Antonio Carlos Botelho Megale, lamenta a atual situação do setor e atribui a queda nas vendas não só ao recuo da economia, mas também ao clima de incerteza que paira no país, causado principalmente pela instabilidade política. “O medo do desemprego, por exemplo, faz um consumidor que trocava de carro a cada dois anos passar a fazê-lo a cada três”, disse.

Ele lembra que o setor contribuía, na primeira década do milênio, com 25% do PIB da indústria e com 5% do PIB nacional. Em 2014, com os últimos dados levantados pela Anfavea, essas proporções caíram para 20,4% e 4%, respectivamente. Com essa perda de fôlego, as empresas fecharam 29 mil vagas nos últimos três anos.

A Volks foi a primeira a enviar ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC uma pauta de “reestruturação e de redução de custos”. Na fábrica de São Bernardo, a empresa propõe, entre outras medidas, um Programa de Demissão Voluntária (PDV), alterações no banco de horas e na jornada de trabalho e, segundo o sindicato, que os trabalhadores fiquem sem reajuste em 2017, 2018 e 2019. A Volks informou, em nota, que as projeções indicam queda de 20% na produção deste ano.

Na unidade da Ford no ABC, trabalhadores estão sendo treinados para atuar também na linha de montagem de caminhões, a partir de outubro. Assim, segundo sindicato e empresa, o excedente da mão de obra seria reduzido. 

Mercedes

PDV. Na Mercedes, dos 10 mil funcionários, 1.800 estão em licença remunerada. Há um PDV aberto desde 1º de julho, e, segundo a montadora, o excedente de mão de obra é de 2.000 pessoas.
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Via O Tempo

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