Agronegócio: Pequeno no tamanho, gigante no retorno

Pequenos e médios animais são opções de diversificação para pequenas propriedades produtoras de gado de leite e corte

A pecuária de leite ou de corte está presente em pequenas propriedades rurais de 237 municípios goianos. Trata-se de duas atividades que não só podem como devem andar juntas com produções paralelas de animais de pequeno e médio porte. A ideia é não apostar todas as moedas numa única atividade, promovendo diversificação na fonte de renda.

Suínos e frangos caipiras, ovinos e caprinos são apontados como boas alternativas e com mercado regional garantido. São de fácil adaptação, demandam áreas menores e de pouca infraestrutura, características que vão ao encontro das possibilidades de uma pequena propriedade rural.

Mas para que a escolha seja certeira, antes de investir o produtor deve observar o mercado consumidor e buscar informações sobre a atividade. Os sindicatos rurais são uma boa fonte difusora.

“A grande vantagem de trabalhar com ovinos é que são de ciclo curto. Além disso, são seletivos na hora de comer o pasto. O que eles não comerem, o gado come. Ou seja, tudo é aproveitado”, resume o médico veterinário, mestre e doutor em pequenos ruminantes pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), Cláudio José Borela Espeschit.

Ele ensina que o ideal é observar se há presença de abatedouros nas proximidades. Como não existe nenhum específico em Goiás, na prática, produtores fazem acordos com empresas para abater num dia da semana. “Mas tem demanda de mercado. Importamos muita carne do Uruguai e o mercado também é bom para matriz”, alerta.

Uma opção é a raça dorper, que se destaca pela qualidade da carne. Cláudio José diz que o produtor deve ficar muito atento às verminoses, que são específicas de ovinos e caprinos, ou seja, não há troca de vermes com o gado.

A caprinocultura é outra atividade de manejo semelhante, entretanto, a mira é o leite. Aliás, o mercado está de olho em subprodutos, como queijos e iogurtes. Mas ao contrário dos ovinos, caprinos não são indicados para consórcios com frutíferas e silvicultura.

O gerente da Estância Cristal, José Luiz Neto, afirma que a diversificação foi caminho natural da propriedade de cerca de 160 hectares, localizada no município de Anápolis. Começaram com gado de leite ao mesmo tempo em que criavam poucos ovinos para abate em datas especiais. “Mas aumentamos a produção e hoje temos 200 cabeças”, conta. Ele diz que o manejo do gado de leite e dos ovinos é feito junto, harmonicamente, e não reclama da remuneração. “Vendemos matrizes e reprodutores entre R$ 400 e R$ 600”, calcula. Do leite oriundo da criação de cabras, cerca de 22 cabeças, produz queijo para consumo próprio.

A médica veterinária e coordenadora da área de pequenos e médios animais do Senar-GO, Samantha Andrade, lembra que suínos caipiras e, especialmente, frangos caipiras também são excelentes opções de diversificação.

“O frango é culturalmente bem absorvido pela população, o manejo é bastante simples, o custo é baixo e a saída é garantida.” Ela diz que a estrutura necessária é mínima e existem dois tipos de frango: o caipira colonial, tratado com capim e milho; e os frangos caipiras melhorados, com demanda de ração. Esses últimos podem ser vendidos em apenas seis meses, pesando dois quilos e meio.

Ela explica que um dos desafios para o produtor de frango caipira é se organizar para ter oferta ao longo de todo o ano. A ideia é produzir em sistema de loteamento para que ter volume de animais com mesma data de entrada e saída. “Assim é possível ofertar animais de 15 em 15 dias”, afirma.

Via O Popular | Foto: Reprodução

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