Abinee: Indústria já reclama de recuo do dólar frente ao Real

Depois de chegar a animadores R$ 3,70, o dólar vem recuando e o novo patamar de R$ 3,20 no começo do segundo semestre deste 2016 já afeta as decisões das indústrias de eletroeletrônicos. Segundo a Abinee, esse recuo explica a queda de 22% nas vendas externas de julho, mercado que já acumulara recuo de 13,4% nos sete primeiros meses do ano.

Para a Abinee, o recuo das exportações decorre da falta de confiança das empresas em vender seus produtos no mercado externo, face à instabilidade do real frente ao dólar. “Com tantos altos e baixos, as empresas do setor enfrentam dificuldades para traçar planos de médio e longo prazo, pois os contratos de exportação não são negócios pontuais. A indústria não consegue conviver com tanta instabilidade cambial”, diz o presidente da Abinee, Humberto Barbato.

A entidade lembra que o setor eletroeletrônico é um dos mais dependentes de insumos importados, o que obviamente também é afetado pela volatilidade do câmbio na formação de preços de seus produtos no mercado interno, em cenário de margens apertadas.

Em julho, as exportações de eletroeletrônicos somaram US$ 431,8 milhões, bem abaixo dos US$ 553,3 milhões registrados em julho de 2015. Destaque para a queda no segmento de componentes elétricos e eletrônicos totalizaram US$ 209,3 milhões, 22,2% inferiores às de julho do ano passado, principalmente pelas quedas nas exportações de componentes para telecomunicações (-69%) e de semicondutores (-63%).

No acumulado de janeiro a julho, destacaram-se recuos nos principais produtos exportados do setor: componentes para equipamentos industriais (-8%), eletrônica embarcada (-15%) e motocompressores herméticos (-6%). As vendas externas de bens de Telecomunicações (-15,6%), Utilidades Domésticas (-13,6%) e de Material Elétrico de Instalação (-10,8%) também recuaram.

Por outro lado, houve crescimento de 51,1% nas exportações de bens de Informática, que somaram US$ 210,2 milhões, que contaram com as vendas externas de impressoras (+145%) e de máquinas de processamento de dados (+69%), cujos montantes somaram US$ 51 milhões e US$ 54 milhões, respectivamente.

Pelo lado das importações, as compras do setor somaram US$ 2 bilhões em julho, 23,5% abaixo das ocorridas em julho do ano anterior (US$ 2,7 bilhões). Segundo a Abinee, com exceção do mês de junho de 2016, desde abril de 2014, as importações mensais de bens do setor ficaram abaixo das ocorridas em iguais períodos do ano anterior.

Especificamente no mês de julho de 2016, Telecomunicações (+0,6%) foi a única área a apontar incremento nas importações. Destacou-se o crescimento de 163% nas importações de telefones celulares, que passaram de US$ 14 milhões, em julho de 2015, para US$ 37 milhões, em julho de 2016. Deste total, US$ 35 milhões foram importados da China.

Via Convergência Digital | Link da matéria | Foto: Fernanda Carvalho

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